segunda-feira, 20 de julho de 2015

Análise sobre o Processo de Desertificação em Sergipe.

É sabido que os processos de desenvolvimento e urbanização baseados na transformação e consumo da natureza são responsáveis diretos pela poluição e desequilíbrio dos sistemas socioambientais do planeta Terra.

Em Sergipe esse processo de ocupação dos espaços tem se intensificado nas últimas décadas, devido à implantação de políticas públicas voltadas para habitação e atividades agroindustriais, consolidando a construção de estruturas territoriais baseadas na geração de grandes contrastes sociais e de impactos ambientais profundos, dentre eles, destaca-se o processo de desertificação em áreas da Região Semiárida do Estado de Sergipe.

A Região Semiarida configura-se num espaço geográfico em que a análise dos impactos ambientais gerados pelo desenvolvimento espacial, econômico e social, deve ser edificada sob os pilares da integração de dados e do estudo das potencialidades e vulnerabilidades responsáveis pelos conflitos de uso, perdas de recursos naturais e impactos resultantes de fenômenos naturais e ação antrópica.

No contexto científico atual, existe o consenso de que o aquecimento global está em corrente evolução e que as atividades humanas, mais precisamente a queima de combustíveis fósseis, a agricultura extrativista e as grandes cidades, são as suas principais causas.

No Estado de Sergipe, um reflexo deste evidente do aquecimento global é a expansão indesejada de terras desérticas. Essa desertificação deve-se principalmente às práticas agrícolas que abusam da estrutura e fertilidade do solo, gerando erosão, infertilidade, salinização e desmatamento, fatores esses que contribuem cada vez mais para a alteração dos padrões de temperatura e precipitação.

Segundo dados das Organizações de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO), Meteorológica Universal (OMU) e das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o Estado de Sergipe encontra-se numa faixa de Risco Moderado de desertificação, dados que evidenciam uma necessidade de ações e práticas de sustentabilidade nessa área que envolve complexas atividades agroindustriais, populacional e escassez de disponibilidade hídrica.



De acordo com dados da Defesa Civil do Estado de Sergipe, entre janeiro a maio de 2012 em Sergipe 18 municípios decretaram situação de emergência por conta da “Seca”, fenômeno este que sazonalmente ocorre e que tem por característica questões ambiental do ponto de vista da geomorfologia e geologia do Estado de Sergipe, bem como fatores sociais relacionados à falta de políticas públicas e que enredam toda a discussão entre manejos agrícolas e atividades humanas relacionadas ao aquecimento global.



CLIMA SERGIPANO


O clima, entendido como manifestação habitual da atmosfera num determinado ponto, é um dos importantes recursos naturais à disposição do homem e foi considerado matéria de interesse comum da humanidade por decisão da ONU em 1989. É um dos principais fatores responsáveis pela repartição dos animais e vegetais sobre o globo.



Para caracterizar o clima é necessário compreender que a atmosfera é uma manta fina e gasosa que circunda o planeta Terra, mantida pelo planeta pela força da gravidade. É a camada responsável pelas condições de tempo e clima, é extremamente variável e seu comportamento está sempre mudando tanto localmente e temporalmente. Os componentes para estruturação do clima são insolação, pressão, temperatura, massas de ar e precipitação.

Pela sua posição latitudinal, o território sergipano é regulado pelas principais zonas de pressão do globo: Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que se constitui na linha de convergência de ventos, zonas de altas pressões subtropicais do Atlântico e do Pacífico, bem individualizadas em duas amplas células semifixas e permanentes sobre os oceanos e zonas de baixas pressões subpolares.
O clima Tropical (latitudes equatoriais e tropicais) predominante do Estado de Sergipe identifica a presença de Savana Tropical com característica principal a ocorrência de chuvas em menos de 6 (seis) meses no ano.            A massa de ar característica do Estado de Sergipe é a Equatorial Atlântica (mEa), que é caracterizada pelo clima quente e úmido.



O Estado de Sergipe está afeito a mesma circulação atmosférica regional que gira em torno de quatro sistemas meteorológicos (ventos Alísios de SE, CIT - Convergência Intertropical, EC - Sistema Equatorial Central e FPA - Frente Polar Atlântico). A interação desses sistemas com os fatores locais, posição geográfica, continentalidade, e outros, fazem predominar na área Oeste do Estado um tipo climático quente com características semiáridas. 




Climas secos compõem as regiões desérticas e semiáridas do mundo, onde se considera a eficiência hídrica e a temperatura para compreender o clima. A região semiárida do Estado de Sergipe abrange 28 municípios, abrangendo quase 40% do território sergipano.

As principais características das regiões semiáridas são a vegetação esparsa que deixa a paisagem exposta e a demanda hídrica exceder a disponibilidade, que cria um déficit hídrico permanente.

Em Sergipe os principais fatores climáticos nessa região são:
·         Predomínio de ar seco no sistema de alta pressão subtropical;
·         Está localizada na retaguarda (sotavento) dos Tabuleiros Costeiros, evitando a precipitação;

Numa visão global, Sergipe está inserido na faixa das Estepes Semiáridas do globo, onde predomina-se os climas tropical e subtropical quentes de latitudes médias.

Dessa forma, fica evidente que a Gestão Ambiental em nosso Estado, tem o dever de analisar e criar mecanismos eficientes de mitigação dos efeitos da seca, fundamentalmente no Alto Sertão Sergipano, área de crescente produção agroindustrial e dinâmica populacional. 

Até a próxima postagem!!!

MSc. Rodrigo da Silva Menezes
Diretor Técnico e Científico - GEOSUS (Geotecnologia e Sustentabilidade)
Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente
Especialista em Didática e Metodologia do Ensino Superior
MBA em Gestão Ambiental e da Qualidade (ISO 14.001 e 9.001)
Consultor Técnico em Geotecnologias
Geografia - Licenciatura

Nenhum comentário:

Postar um comentário